
Roberto Gameiro
Você já
imaginou se quase toda a população da cidade de São Paulo fosse constituída de
analfabetos?
Segundo o
IBGE, a população estimada de São Paulo, em 2017, era de 12.106.920 pessoas. E
segundo o mesmo IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad-2016), divulgada no dia 21/12/17, o número de analfabetos (15 anos de
idade ou mais) no Brasil era de 11.800.000 pessoas, ou 7,2% do contingente (no
Pnad-2014, eram 13.200.000).
A comparação
que faço pode parecer esquisita, mas o número, embora não seja novidade,
assusta, pois a quantidade de analfabetos no país beira o número de habitantes
da cidade mais populosa, já tendo sido maior.
Assim como
preocupa o fato de que na população com mais de 60 anos, o número é de mais de
seis milhões de analfabetos, ou 20,4%; entretanto, numa análise simples, o fato
de este contingente constituir mais da metade do total, mostra que estão
aparecendo resultados positivos nos investimentos do país no processo de
alfabetização da população mais jovem. Há esperança, portanto, a médio e longo
prazos.
A pesquisa
mostra, também, que, no Nordeste, a taxa de analfabetos entre os que têm 15
anos ou mais, 14,8%, é mais do dobro da média nacional (7,2%), enquanto no
Norte é de 8,5%, no Centro-Oeste 5,7%, no Sudeste 3,8% e no Sul 3,6%.
Nesse
contexto, a economia brasileira apresenta sinais de recuperação nesta passagem
de 2017 para 2018, ao tempo em que o desemprego, a passos curtos, diminui
gradativamente, mas longe de voltar a um patamar aceitável (12,2% até outubro).
A recuperação, porém, não se apresenta uniforme em todo o território nacional;
é mais lenta no Nordeste, justamente a região que tem mais analfabetos, e mais
alentadora no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Essa performance da economia
influencia, por óbvio, a realização de novos projetos em Educação, por absoluta
falta de verbas, ou de vontade política para fazê-lo, ou, ainda, por falta de
competência de quem de dever.
País
continental, com características regionais que desafiam cotidianamente os
cidadãos e os governos, agravadas por um sistema de corrupção endêmico,
resiliente e contumaz, o Brasil carece de mais iniciativas na área da Educação
que sejam perenes, persistentes e competentes. Especialmente no campo da
alfabetização.
Será que um
dia o brasileiro vai ouvir a notícia de que o analfabetismo foi erradicado do país?
Artigo editado e publicado no
jornal “O Popular” de Goiânia em 07/01/2018.
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Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor
na área de “Gestão de escolas de Educação Básica”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br.
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